Blog do Kenard


Texto principal da Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, quinta-feira:

Milagre às avessas

 

O escritor argentino Jorge Luís Borges certa vez disse que gostaria de um país de classe média. Isso, nem de ricos nem de pobres, de classe média. Recentemente, foi divulgado (inclusive pelo Diário da Manhã) que no Brasil de Lula haviam caído a miséria e as desigualdades. Alguém precisa me convencer dessas verdades estonteantes. Vou tentar explicar as razões para o meu ceticismo.

Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, o Brasil vem praticando os juros mais altos do planeta. Os petistas, então na oposição, diziam que isso era irresponsabilidade social. Que não havia razão para mantermos os juros na estratosfera.

Os petistas chegaram ao poder e Lula curte o segundo mandato. O que era horror na época de oposição virou lugar comum e cômodo. Continuamos a praticar juros exorbitantes.

Até onde a vista alcança, não sei de nenhum banqueiro beneficiado pelo Bolsa Família. De Fernando Henrique Cardoso a Lula, os banqueiros conseguiram quadruplicar suas fortunas. Os ricos estão cada vez mais ricos. Graças aos juros altos.

Então, como querer me convencer de que com o Bolsa Família conseguiu-se, com apenas um tiro, ferir quase de morte a miséria e as desigualdades sociais?

Alguma coisa está errada nessa conversa. Um país não pode transformar os ricos em mais ricos e ao mesmo tempo acabar com a miséria e as desigualdades sociais. Há um contra-senso nisso tudo. Robin Hood, o personagem mítico dos ingleses, não tirava dos ricos para dar aos pobres e aos mesmos ricos. Como pode, então, no Brasil os juros altos alimentarem a riqueza dos mais ricos e ao mesmo tempo haver redistribuição de renda?

Vai nascer o economista que me convença dessa proeza.  

 



Escrito por Roberto Kenard às 11h53
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, terça-feira:

Prece do barulho

 

As reclamações de leitores contra o barulho causado pelos “shows” na Assembléia de Deus do Calhau, repercutidas aqui em nota na semana passada, abriu-me espaço para uma reflexão: por que os evangélicos, para se comunicar com Deus, precisam de tanto barulho, histerismo e algazarra? Seria Deus surdo aos apelos dos tranqüilos e silenciosos?

Desde os primeiros tempos, os cristãos venderam a idéia de que o inferno seria o lugar da agonia, do barulho, dos castigos incomensuráveis. Os evangélicos de hoje parecem querer negar isso. O céu, sim, seria o lugar por excelência da eterna festa, da algazarra e do barulho ensurdecedor. Um lugar não das preces, mas dos apelos histriônicos.

Alguns católicos também pensam assim. São os chamados Carismáticos. Como os evangélicos, eles também acreditam que Deus só ouve os cristãos armados de guitarra, agogô, atabaque, reco-reco e pandeiro. Como os evangélicos, os Carismáticos supõem que Deus não suporta a prece silenciosa, sem fundo musical e paisagem.

Entrar no céu seria assim uma espécie de campeonato, no qual vence quem gritar mais. Não deixa de ser um ato sacrílego: Deus, por esse prisma, não é onisciente. Para que ele veja um evangélico e um carismático, pobres mortais a sofrer na terra, é preciso chamar-lhe a atenção. Assim, quanto mais barulho, melhor. E subvertem a máxima de que “quem não é visto não é lembrado”. Sim, para evangélicos e carismáticos, “quem não faz barulho não é lembrado”.

E tome forró da salvação, pagode da ressurreição, rock do arrependimento e samba da aleluia.

Amém.    

 

Geia. Vai de 27 a 29 deste mês a 4ª edição do Festival Geia de Literatura, que ocorre na cidade de São José de Ribamar. No último dia (29), às 10h, faço a palestra “Jornalismo e Poesia: Linguagem”, no Liceu Ribamarense. No mesmo dia, só que às 18h, no Restaurante Miramar, participo como debatedor da palestra “Como se faz uma biografia”, de Regina Echeverria. Como debatedores estarão também Ceres Murad e Benedito Buzar.

 

Nova cidadã. Quem recebe o titulo de “Cidadã de São Luís”, hoje, na Câmara de Vereadores, é a jornalista Andréa Viana, secretária de Comunicação da Prefeitura de São Luís. Formada pela Universidade Federal do Maranhão, Andréa Viana nasceu no Estado de Goiás. O título lhe vai muito bem.

 

Lamentável. De dar pena o desespero da atleta brasileira Fabiana Murer, ao descobrir a ausência de uma das varas que ela usava para o salto com vara. Acabou sem nenhuma medalha. Nem poderia ser diferente. Com o desespero, como ela poderia ter mantido a concentração necessária?

 

Eleições 2008

 

Hoje

 

*Início do período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

 

*Último dia para os tribunais regionais eleitorais decidirem sobre os recursos interpostos contra a nomeação dos membros das mesas receptoras.

 



Escrito por Roberto Kenard às 09h20
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Pesquisa Ibope

 

O Ibope divulgou no sábado a primeira pesquisa de intenções de voto para prefeito de São Luís. Eis os números dos três primeiros colocados:

 

Castelo – 47%

 

Clodomir Paz – 11%

 

Cleber Verde – 7%

 

A meu ver, o dado mais importante é esse 7% de Cleber Verde. Naturalmente que o número de Clodomir Paz demonstra que o trabalho de um mês já surtiu efeito, antes ele não passava de 2%. Mas os 7% dados a Verde deve acender a luz vermelha na coordenação da campanha do pedetista. Para quem tem estrutura bem inferior à de Clodomir, 7% é um feito. São apenas quatro pontos de diferença.

Sem cair na tentação da futurologia, acho difícil Castelo manter esse patamar. É sabido que em todas as eleições ele tem garantido algo em torno de 30%. Nem mesmo a performace tímida dos outros candidatos, creio eu, fará com que ele siga com esse elevado índice. É esperar.

A tolice pós-pesquisa ficou por conta da coordenação da campanha do comunista Flávio Dino. O presidente municipal do PC do B e coordenador da campanha esbravejou contra os números. Diz haver manipulação dos dados. Só não consegue provar a manipulação. Dizer, por exemplo, que em outras pesquisas e avaliações internas Dino tem índice maior não comprova nada. Que Cleber Verde tem maior apelo popular é indiscutível. Por sinal, fui o primeiro a alertar em minha coluna no Diário da Manhã que Verde era um candidato a que os outros deveriam prestar atenção. O PC do B acha diferente. Se o PC do B lançasse dúvida a respeito do porcentual relativo à rejeição, até eu ficaria balançado. Em todas as pesquisas não divulgadas a que este blog teve acesso, em nenhuma Castelo apresenta somente 14%. Basta a comparação, por exemplo, com Cleber Verde. Este foi vereador e teve grande votação para deputado federal. Não foi destaque em nenhum dos cargos, mas também não teve nenhum escândalo que o indispusesse com o eleitor. Então, como Cleber pode ter maior porcentual de rejeição (18%) que Castelo (14%)? Eis uma boa pergunta ao Ibope. 

 

P.S.: Só no Marnhão mesmo para virar manchete de um jornal o não anúncio da presença do vice-governador Luiz Carlos Porto na sessão comemorativa dos 100 anos da Academia Maranhense de Letras. Foi o que fez o Jornal Pequeno. A notícia merecia no máximo uma nota de coluna politica. E só. Fazer o quê, se estamos no Maranhão?

 

Modificado às 19h14

 

 

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 10h26
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Por conta da TVN, cujos serviços de internet passou praticamente uma semana com problemas, não pude postar nada aqui e nem publicar minha coluna no Diário da Manhã. Peço desculpas pela culpa da TVN. Eis a Coluna do Kenard de hoje (ufa!):

De carne e osso

 

O caderno “Mais!”, da Folha de S. Paulo de domingo, traz matéria de capa a respeito de um livro que revela a coleção de revistas eróticas que o escritor Franz Kakfa guardava, literalmente, a sete chaves. Pela matéria, o livro causou espanto. Talvez – creio eu – a razão para tal espanto encontre-se na repercussão ainda hoje da danosa idéia de santidade atribuída a Kakfa por Max Brod. Não vejo outra razão.

Claro que Kafka nunca foi santo. Adorava manter relações sexuais com prostitutas, por exemplo. Era um homem, digamos, normal, se é que haja algum que o seja. Mas Brod se revestiu da força do Papa e o santificou. Foi o bastante para que até hoje se façam ilações que tais. Um absurdo, não fosse matéria tão risível.

O problema mais grave, a meu ver, foi tomar isso e levar para o campo literário. Quero dizer, deixar a crítica literária se contaminar pela pseudo-santidade de Kafka.

Nossa época, que parece não saber viver sem a bisbilhotice, tem gerado a produção de livros a respeito da vida íntima das celebridades, escritores e políticos incluídos. Quando a vida íntima ilumina a crítica a respeito da obra, vá lá. Mas não é muito o que se vê. Na maioria das vezes trata-se da bisbilhotice pela bisbilhotice, nada mais.

Repare o leitor que não estou a reclamar do livro a respeito da coleção de revistas eróticas de Kafka. Independente das intenções do autor, quero crer que o livro até ajude no desfazimento dessa aura em torno do autor de O Castelo. É sempre bom desmanchar esse tipo de equívoco. No caso de Kafka, então, é salubérrimo.

O equívoco da santidade atribuída a Kafka é do mesmo peso do que via nele um sujeito taciturno, infeliz a não poder mais. Raríssimos os que viram em Kafka (na sua obra) o humor, o fundamental humor. Talvez porque a ironia e o humor de Kafka nunca tenham sido do tipo fácil e escancarado. O humor e a ironia de Kafka eram refinados, sutis.

Que mais livros para desmanchar a pseudo-santidade de Kafka surjam. E viva o Kafka de carne e osso.    

   

Menos. O advogado de José de Jesus Soares Cutrim, o “Louro Bill”, preso na semana passada por envolvimento com o narcotráfico, baseia sua defesa, primordialmente, no uso político da prisão. “Bill” é irmão do deputado estadual e candidato a prefeito de São Luís Raimundo Cutrim.

 

Menos 2. Pode até ser que estejam fazendo uso político da prisão do irmão do ex-secretário de Segurança Raimundo Cutrim. Mas ninguém ignora que “Louro Bill” sempre esteve envolvido com bandidagem e violência na área da Areinha. Não será pelo uso político da prisão que vamos agora santificá-lo. 

 

O mesmo. Haroldo Sabóia volta a ser candidato a vereador em São Luís. Da última vez foi vereador pelo PT, mas não tentou a reeleição. Pensando contar com as asas do governo estadual, tenta agora a vereança pelo... PDT. É o Haroldo Sabóia de sempre. 

 

 

Trama.  Em Barreirinhas o jogo sujo na campanha eleitoral segue solto. A Coligação “Barreirinhas Levada a Sério” descobriu que estavam colando cartazes de sua campanha em locais proibidos. Prontamente foi ao promotor e ao juiz eleitoral para se resguardar da trama. Mas já tem uma pista de quem tentou fazer a armação. É que seis da manhã de ontem flagram um encrenqueiro da cidade fotografando os cartazes colados.

 

Paradoxo. Quando ouço políticos reclamarem do povo, que este não sabe votar, chego ao seguinte: como pode a causa reclamar da conseqüência? Não dá nem parar rir.

 

*Esta coluna era para ser publicada desde terça-feira. Mas o péssimo serviço de internet da TVN não deixou. Sai hoje com as devidas desculpas aos leitores.

 



Escrito por Roberto Kenard às 14h46
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, quinta-feira:

Poesia e arquitetura

 

Ao ver publicada no Diário da Manhã a maquete do futuro Museu de Arte Contemporânea, projeto do escritório do arquiteto Oscar Niemeyr, lembrei-me do poema que o iugoslavos Vasko Popa fez em sua visita ao Brasil, ocorrida em abril de 1987, ao sobrevoar Brasília pela primeira vez. O Museu, conforme a maquete, será erguido do outro lado da Praça Maria Aragão, sendo ligado a esta por uma passarela.

Eis o poema de Popa:

 

monumento ao oxigênio

 

um vinho rubro-terra me destina

a este país-braços-abertos

do coração do qual frondeja

a árvore da vida de olhos verdes

 

respira e assim anima

- exânime – uma estrela

 

me aterrorizam monumentos

grandes fantoches sobreerguidos

com frio e fogo e outras – invisíveis – armas

 

em parte alguma jubilou-me

um monumento ao oxigênio

 

todo armado de folhas

de flores e de frutos

e de outras verdades maduras

 

A tradução é do poeta Haroldo de Campos.

 

Como a conversa enveredou pela poesia, não seria justo escrever qualquer linha, hoje, a respeito de política. Política e poesia são como água e óleo, muito embora um poema não se furte à vida.

Como não poderia deixar de ser, deixo-os na luxuosa companhia do mesmo Vasko Popa:

 

Crítica da Poesia

 

Depois da leitura de poemas

No serão literário da fábrica

Começa o diálogo

 

Um ouvinte ruivo

De face marcada por manchas solares

Ergue dois dedos

 

Camaradas poetas

 

Se eu lhes versificasse

Toda a minha vida

O papel ficaria rubro

 

E pegaria fogo.

 



Escrito por Roberto Kenard às 09h45
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, quarta-feira:

Coluna do Kenard05082008

 

Tiro na facilidade

 

Há muito disse aqui que releio mais que leio. Isso segundo os padrões fixos de leitura. Para mim, na verdade, os grandes livros nunca são relidos. Eles sempre são lidos. Porque os grandes livros a cada leitura se nos apresentam diferentes. Descobrimos um lance que antes não havíamos percebido. E é justo isso que faz deles grandes livros.

Ontem, por exemplo, acordei cedo e fui para a biblioteca. Havia acabado de reler (ler) um livro fundamental de Harold Bloom e olhando as prateleiras dei de cara com o livro Extraterritorial, de George Steiner, outro intelectual de descendência judaica como Bloom.

Lembrei-me, então, de um texto do livro no qual ele faz uma breve leitura de Céline, o escritor francês que pregava, em panfletos virulentos, o extermínio dos judeus. Uma leitura fabulosa porque põe em discussão o seguinte: pode um escritor racista ser um grande escritor?

Steiner, no brevíssimo ensaio, quase resenha de um livro a respeito de Céline de uma acadêmica, se não me engano, americana, é brilhante na suspeita de que escritores moralmente abjetos sejam incapazes de produzir obra de valor. Steiner desconfia da facilidade da resposta positiva.

Mas não pretendo aborrecer o leitor ávido por comentários políticos com o aprofundamento da discussão levantada por Steiner. Comove-me a segurança e capacidade do judeu Steiner de escrever elogios à prosa de um anti-semita do porte de Céline. Observa-se, logo, que não discuto neste espaço a qualidade interpretativa de Steiner, mas, sim, modestamente, o lado demasiado humano do intelectual Steiner.

O pequeno ensaio, por outro lado, tem a fundamental relevância de erguer uma discussão que todos, mesmos o mais eruditos, costumam contornar com uma ligeireza decepcionante. Coisa do tipo: se o autor é, por exemplo, fascista, sua obra é um equívoco e sem qualquer importância literária.

Fosse assim tão fácil, todo escritor ou intelectual dito de esquerda seria um gênio. O que está longe de ser uma verdade.

  

Invisível. Alguém aí sabe o nome do presidente da Suíça? Não, claro. Chama-se Pascal Couchepin. A invisibilidade de um presidente é a maior prova de que um país vai muito bem, obrigado. Fosse assim no resto do mundo e tudo estaria andando a mil maravilhas.

 

Hoje. Deve sair hoje a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da degola das candidaturas dos chamados candidatos de “ficha suja”, aqueles que têm problemas com a Justiça de qualquer ordem. Se decidir pela impugnação dessas candidaturas, já seria um grande avanço.

 

Duvidoso. O que tem de candidato a vereador com música de campanha parodiando forrós não está escrito. São candidatos de uma falta de criatividade de dar nos nervos. Além de ser uma gente de gosto pra lá de duvidoso. Tenho comigo que candidatos com tais características jamais venham a ser bons representantes da população.

 

Grana. A Receita Federal do Brasil vai liberar sexta-feira (8) a consulta ao terceiro lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física 2008 (ano-base 2007). Além da internet, o contribuinte pode obter informações pelo 146 – em ambos os casos, é necessário informar o número do CPF (Cadastro de Pessoa Física).

 

Riqueza. O Diário da Manhã saiu na frente de todos os jornais ao publicar a relação com a evolução patrimonial dos candidatos a prefeito que são deputados estaduais ou federais, ou que tenham concorrido em 2006, embora não tenham sido eleitos. Causa espanto o aumento do patrimônio do deputado estadual João Batista (PP). Já Gastão Vieira (PMDB) e Sebastião Madeira (PSDB) tiveram o patrimônio diminuído.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 15h18
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Manchete do Diário da Manhã de hoje, terça-feira (Aqui não vai o quadro com a evolução patrimonial dos candidatos, como na edição impressa):

Em dois anos, candidatos a prefeitos

ficaram bem mais ricos no Maranhão

 

 

A vida de político não é ruim assim como eles costumam tentar passar a idéia. Isso pode ser constatado hoje graças à lei que, em 2006, obrigou os candidatos a declarar seus bens aos Tribunais Eleitorais. Passados dois anos, alguns deles voltam às urnas, para disputar a eleição de prefeito. Novamente tiveram de fazer a declaração de bens à Justiça. E todos podem ficar sabendo o quanto enriqueceram em apenas dois anos.

Graças à Transparência Brasil, entidade que se deu ao trabalho de pegar os dados do Tribunal Superior Eleitoral, e, depois de cruzá-los, os colocou na internet, os eleitores podem saber a variação do patrimônio dos candidatos a vereador, a prefeito e a vice-prefeito de todo o Brasil, Maranhão incluído, naturalmente.

Como a lei que obriga os candidatos a declarar os bens passou a funcionar somente a partir de 2006, da para acompanhar a variação patrimonial somente de quem foi candidato em 2006, tendo sido eleito ou não, e agora concorre a prefeito, a vice ou a vereador.

No Maranhão há casos extremos. Como o de João Batista, eleito deputado estadual pelo Partido Progressista (PP). Em 2006 ele declarou ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão que tinha um patrimônio de R$ 20.400,00. Ele agora é candidato a prefeito de Imperatriz e, como manda a lei, novamente teve de declarar seus bens. Pois é, ele agora tem um patrimônio de R$ 137.000,00. O que dá uma diferença de R$ 116.600,00. O que quer dizer que ele teve uma evolução patrimonial de 571,6%. Nenhum eleitor que ele representa na Assembléia Legislativa do Maranhão certamente teve uma evolução patrimonial de tal ordem.

O outro caso extremo é do deputado Gastão Vieira (PMDB). Ele se reelegeu deputado federal em 2006, quando declarou patrimônio de R$ 473.108,00. Hoje Gastão Vieira é candidato a prefeito de São Luís. Novamente teve de declarar os bens. E surpresa: o patrimônio dele diminuiu. Um caso raro, mas não único, já que a vereadora Marília Mendonça (DEM) também teve o patrimônio diminuído. Mas entre os candidatos a prefeito de São Luís somente Gastão Vieira teve perda de patrimônio. Aos números: Gastão teve diminuído seu patrimônio em R$ 31.510,00. Ou seja, em 6,7%.

Quem disputa lado a lado em evolução de patrimônio com João Batista é o também deputado estadual Soliney Silva (PSDB), candidato a prefeito em Coelho Neto. Ele teve o patrimônio aumentado em 569,8%. Uma evolução e tanto. Outro que teve aumento no patrimônio depois que se elegeu deputado federal foi o também deputado federal Waldir Maranhão (PP), da ordem de 221,4%. Waldir Maranhão é candidato a prefeito em São Luís, e, como tal, já apresentou uma proposta no mínimo esdrúxula de, se vier a se eleger, criar uma tal de secretaria para tapar buracos na cidade.

Até o comunista Flávio Dino, eleito deputado federal em 2006, teve evolução patrimonial em dois anos. Bem menor do que a de seus pares, da ordem de 3,7%. Sinal de que ser comunista nos dias de hoje tem lá suas vantagens capitalistas.

 



Escrito por Roberto Kenard às 12h23
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Coluna do Kenard  (Diário da Manhã) de hoje, quarta-feira, 30/07:

Discussão útil

 

É evidente que a maioria gostaria de ver todos os ladrões de colarinho branco na cadeia, como ocorre com os ladrões que não usam Black-tie. Mas nossa fome de justiça não pode roer as leis. De forma que o direito de defesa e o cumprimento das normas legais por parte das polícias não evaporem.

A prisão do mega-espertalhão Daniel Dantas e outros de mesmo colarinho, se aproveitada, servirá para a discussão desapaixonada e proveitosa a respeito do trabalho, por exemplo, da Polícia Federal.

A questão do grampo é uma delas. A polícia (e os meios de comunicação incluídos) deixou de lado o trabalho de investigação para só trabalhar à base de grampos. Não que eles sejam desnecessários, mas não podem ser a única arma de investigação. Isso para não falar de velhas suspeitas de que às vezes a polícia faz gravações de conversas e só depois pede a autorização à Justiça para fazê-las.

Na outra ponta, existe o desrespeito no Brasil – que a Justiça acolhe com brandura – aos direitos de quem vai ser preso. Casas dos pobres são invadidas, essa é a palavra correta, sem mandado. Familiares, parentes e vizinhos de pobres suspeitos não raro são espancados para que abram a boca. Tudo isso, na Justiça, deveria invalidar o processo contra o acusado. Não é o que ocorre.

Mas, em vez de lutarmos contra todos esses lances que desmoralizam as instituições e corroem o Estado de Direito, tomamos partido: se ocorre com o pobre, por que não deve ocorrer com ricos e com a classe média? Quando o certo era a luta para fazer valer a igualdade da lei: branco ou negro, rico ou pobre, homem ou mulher, a lei é a lei. Independente de cor, posição social ou sexo, feita a investigação e comprovada a culpa, deve ser preso.

Ao debate falta essa racionalidade.      

 

Hummm. O portal do Governo do Estado chegou a anunciar a criação de uma fábrica de celulose, parceria da Vale do Rio Doce com a Suzano. Ontem era para ser assinado o protocolo de intenções. Não foi assinado. Fonte palaciana me contou que uma determinada cláusula deixou o governo com o pé atrás.

 

Pega o ladrão. A Secretaria de Agricultura registrou uma ocorrência de furto nos arquivos digitais do setor financeiro. É o que leio no Blogue do WR. Bom, assim sendo, é bom muita gente pôr a barba de molho.

 

Saúde. O jornalista Décio Sá, em conversa por telefone ontem, me contou que é grave o estado de saúde do radialista Deny Cabral, que trabalha na Mirante. Deny, além de bom sujeito, é um bom exemplo numa área que se tornou um tanto esdrúxula no Maranhão.

 

Fiat. O Ministério Público, é o que me informam, investiga, entre outras coisas, a compra de carros Fiat para a Secretaria de Segurança Cidadã. Tem tudo para se transformar em mais uma confusão na já conturbada administração de Eurídice Vidigal. Anotem.

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 10h38
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, sexta-feira, 25:

Crônica de uma queda

 

O governador Jackson Lago só tinha duas alternativas: demitir a secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal, ou demitir o delegado-geral Jefferson Portela. Ficou com a segunda opção. O impasse surgiu por conta das denúncias do demitido de que na Secretaria de Segurança Cidadã havia irregularidades em contratos.

Resta saber se a decisão lubrifica momentaneamente a imagem do governo ou se surge como mais um band-aid onde deveria ser realizada uma cirurgia.

O certo é que mesmo aparentemente vencedora no embate com o ex-delegado-geral Jefferson Portela, a imagem da secretária Eurídice Vidigal prossegue com os mesmos arranhões. Ela permanece no cargo, mas como uma administradora com poderes limitadíssimos. Basta lembrar que o comandante do policiamento metropolitano, coronel Melo, e o comandante da Polícia Militar, coronel Pinheiro, permanecem em seus respectivos cargos e não são o que se poderia chamar de amigos da secretária. Longe disso.  

Certo também que eles até aqui não fizeram nenhuma denúncia grave contra Eurídice Vidigal, como fez Portela. Os dois militares a tratam com profunda desconsideração, e em público. O que – pelos parâmetros do governador – deve ser considerado como rotina de trabalho.

Mas fica a pergunta: E se Pinheiro e Melo enveredarem pelo caminho de Portela? 

Há quem acredite que a decisão do governador Jackson Lago de demitir Jefferson Portela foi precipitada. É que as denúncias vão ser investigadas pelo Ministério Público. E se, acabada as investigações, o Ministério Público concluir pela veracidade das denúncias?

No mínimo vão dizer que o governador optou por demitir que tentava proteger seu governo e ficou com quem o maculava. Eis o risco da decisão.

 

Barreirinhas. Mesmo com o pedido de impugnação de sua candidatura, o prefeito de Barreirinhas Milton Dias deverá fazer grande carreata na cidade hoje. Pelo menos é o que me contam várias pessoas da cidade. A decisão de fazer a carreata, contam-me também, veio após viagem instantânea a Brasília feita pelo prefeito. É conferir.

 

Brancaleone? Quem fez caminhada pela cidade foi o candidato a prefeito pedetista Léo Costa. Consta que havia somente uns poucos acompanhantes, de bandeira em punho.

 

Queixa. A esposa do candidato a prefeito de Barreirinhas Celsinho Rodrigues (PSB), Zilmar, irmã da secretária de Infra-Estrutura, Telma Pinheiro, prestou queixa contra o presidente da Câmara daquela cidade e candidato a vice-prefeito na chapa do prefeito Milton Dias, o Gugu. Motivo: ele teria participado de reunião política pelas praias da cidade difamando-a.

 

Corta. Continuam a chegar ao Diário da Manhã matérias impublicáveis dos candidatos a prefeito de São Luís. Impublicáveis pelo menos por duas razões: são carregadas de elogios disparatados e escritas em português da Inglaterra.



Escrito por Roberto Kenard às 09h21
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Portela dançou

 

O governador Jackson Lago demitiu hoje o delegado-geral Jefferson Portela, nomeando para ocupar o cargo o também delegado, atualmente assessor especial da Secretaria de Segurança Cidadã, Antônio Bezerra dos Santos Filho.

Portela havia feito várias denúncias a respeito de contratos realizados na Secretaria de Segurança. Ontem, ele voltou a afirmar as denúncias e recebeu o apoio de inúmeros delegados e outros agentes da polícia civil.

As denúncias vão ser investigadas pelo Ministério Público.

Enquanto o presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Maranhão (Adepol-MA), Marcos Affonso Júnior, esteve presente ao ato de nomeação do novo delegado-geral e elogiou a escolha, o presidente do Sindicato da Polícia Civil do Maranhão, Amon Jessen, criticou a decisão do governador Jackson Lago. Para ele, Lago deveria ter mandado investigar as denúncias e não demitir o denunciante.

Essa não é a primeira crise na área de segurança do Governo Jackson Lago. O comandante do policiamento metropolitano, coronel Melo, e o comandante da Polícia Militar, coronel Pinheiro, são praticamente adversários da secretária Eurídice Vidigal. O primeiro já chegou a bater boca com ela em entrevista coletiva; o segundo já concedeu várias entrevistas em que se mostrava claramente contra a política segurança adotada por ela.

No embate com Jefferson Portela Eurídice venceu. Resta saber se resistirá a mais outra crise de mesmo porte. É aguardar.



Escrito por Roberto Kenard às 15h56
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Como a Secretária de Redação do Diário da Manhã ficou doente desde sexta-feira, tive de substituí-la, daí a ausência de textos por aqui. Eis o texto principal da Coluna do Kenard de hoje, quinta-feira, 24/07:

Onze atletas?

 

São Luís só perde em número de candidatos a prefeito para o Rio de Janeiro. São Luís tem 11 candidatos e o Rio, 12. Acontece que pelos dados do IBGE, de 2007, São Luís não tem ainda 1 milhão de habitantes, enquanto o Rio tem 15,4 milhões. A capital maranhense empata em número de candidatos a prefeito com a mais populosa cidade do Brasil, São Paulo. Pelos mesmos dados do IBGE, São Paulo tem 39,8 milhões de habitantes.

É aquela coisa, se não podemos nos igualar em qualidade de vida e desenvolvimento, estamos ombro a ombro no número de políticos interessados em sentar na cadeira de prefeito.

São 11 candidatos, o que daria para formar um time de futebol com 11 reservas (os candidatos a vice). Isso aumenta a responsabilidade do eleitor, porque nem todos são craques. Há muito “perna de pau” entre os 11. Há entre eles aqueles que gostam de fazer gols impedidos, aqueles que se o juiz descuidar trapaceiam e os que não sabem nem onde fica a trave.

Realmente, o eleitor (torcedor, no caso) precisa de muita atenção na hora de escolher o time por que vai torcer. É preciso saber se o jogador está interessado apenas no dinheiro, ou se veste a camisa da cidade por amor.

Você já viu um jogador do Flamengo, por exemplo, antes de cada jogo sair de casa em casa atrás de criancinha pra beijar? Claro que não. Então cuidado com os jogadores que querem comandar o Cidade de São Luís Futebol Clube. Se for beijoqueiro de criancinha, é porque é “perna de pau” e usa isso como artifício para ser titular.

O difícil vai ser armar esse time, afinal todos (menos um) querem jogar no ataque. O problema é que quem só ataca acaba perdendo a partida.

Depois dos 90 minutos saberemos quem realmente é artilheiro.

Antes que eu esqueça: o torcedor tem que prestar atenção aos reservas (os vices). Time bom tem reserva à altura.

 



Escrito por Roberto Kenard às 14h18
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Sou contra

 

Raramente dirijo quando bebo, já que conto, há quatro anos, com os serviços de um motorista. Mas é uma besteira sem tamanho essa conversa do bafômetro (além de inconstitucional) e do prende e arrebenta que o segue. Não já existem leis que proíbem dirigir embriagado? Então, para que essa nova? Se as leis existentes não servem, que sejam revogadas.

Mas na verdade, o que falta é pô-las em prática. No Brasil, no entanto, costuma-se culpar as leis e não quem não as põe em prática. E sabemos por que elas não são postas em prática. Num país com desigualdades sociais profundas, quem tem carro tem maior poder aquisitivo. Se tem um carrão, então, é rico. E quem tem poder aquisitivo, e bebe e dirige, pode pagar advogados ou o guarda da esquina. Se for filho de algum político ou de qualquer outro tipo de autoridade, aí mesmo que a lei não existe.

Portanto, por essas e outras, sou contra essa lei e seu bafômetro. Sou pela educação correta aos filhos (o pai não deve comprar o guarda da esquina nem achar bonito o filho fazer o mesmo), pela exigência de que a lei serve para todos e pela punição de quem dirige embriagado e causa danos a outrem (punição dentro do grau da culpa).

E, claro, não deixo de tomar minha dose de uísque todos os dias.  

 

PDT. O candidato Clodomir Paz e os candidatos a vereador da coligação que sustenta sua candidatura inauguraram ontem o comitê de campanha no Turu. A inauguração contou com a presença do prefeito Tadeu Palácio, jornalistas e outros convidados.

 

Na frente. O Diário da Manhã publicou ontem em primeira mão que o prefeito de Barreirinhas, Milton Dias, pode ficar inelegível. O candidato a vereador pela coligação “Barreirinhas Levada a Sério”, Anselmo Ferreira, entrou na Justiça Eleitoral. Alegação: o prefeito é 1º secretário da Famem, a Federação dos Municípios do Estado do Maranhão. Embora seja uma entidade de direito privado, a Famem é mantida com dinheiro dos municípios, portanto, dinheiro público. Só que o prefeito não se desincompatibilizou do cargo. É esperar no que vai dar.

 

Por falar nisso... Estão querendo tornar inelegíveis os candidatos João Castelo (PSDB) e Flávio Dino (PC do B). Motivo: não pagamento de multas de campanha anterior. Dino ainda tem contra ele gasto de campanha antes de abrir conta conforme a lei. Pelo menos é o que li em O Estado do Maranhão de ontem.

 

Aguardando. Assessor de imprensa do deputado e candidato a prefeito de São Luís Pedro Fernandes (PTB) liga para dizer que o deputado fez emendas para ajudar a administração de São Luís. O deputado soube, em Brasília, de nota nesta coluna na qual se dizia que os deputados federais nada fazem pela cidade. Pedro Fernandes ficou de ligar. Aguarda-se.

 

Sujeira. É hora de o eleitor reagir aos candidatos “sujeira”. Aqueles que saem pichando muros e prédios em época de eleição. E a reação é simples: não votar neles. Como o sujeito pode querer ser vereador (e fazer leis em favor da cidade e de sua população) ou prefeito (para melhorar a cidade e a vida de sua população) se desrespeita valores mínimos de civilidade?



Escrito por Roberto Kenard às 11h22
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Barreirinhas quente

 

A coligação “Barreirinhas Levada a Sério”, formada pelos partidos PMDB, PTB e PV, entrou com ação de impugnação de registro de candidatura do prefeito Milton Dias. A representação é assinada pelo candidato a vereador Anselmo Ferreira. A coligação alega que o prefeito é 1º secretário da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e não se desincompatibilizou do cargo no prazo previsto por lei.

Os advogados da coligação alegam que, embora seja uma entidade de direito privado, a Famem é mantida com contribuições dos municípios, portanto, com dinheiro público. Assim sendo, o prefeito Milton Dias deveria ter se desincompatibilizado do cargo de 1º secretário da entidade no dia quatro de junho, quatro meses antes da eleição, conforme a lei.

A petição da coligação “Barreirinhas Levada a Sério” se baseia em entrevista concedida pelo prefeito Milton Dias, na qual lhe perguntam se é o 1º secretário da Federação dos Municípios do Maranhão. O prefeito respondeu que sim, que é verdade que é o 1º secretário da Famem. A entrevista foi gravada no dia 18 de junho. O prefeito, segundo os advogados, nessa data era para estar desincompatibilizado do cargo, no prazo de quatro de junho, 14 dias antes, portanto.

 

Barreirinhas 2. Os candidatos a vereador Enoque, Reisinho, Domingos Branco e Caiano podem ficar inelegíveis. O Ministério Público já representou contra a candidatura dos quatro: o primeiro, por infidelidade partidária e os demais, por problemas em apresentações de contas. Falta agora a decisão do juiz eleitoral da cidade.

  

Estavam onde? Alguns deputados federais, hoje candidatos a prefeito de São Luís, são craques em apontar falhas na administração municipal. Era o caso de perguntar o que fizeram por São Luís como deputados federais. Nenhum deles apresentou sequer uma emenda ao Orçamento da União para beneficiar qualquer projeto para a cidade. Ora, por favor...

 

Crítica. Quem teceu críticas ácidas ao comunista Flávio Dino (PC do B) foi Paulo Rios, do PSOL. Segundo ele, Dino representa a Nova Direita e não passa de um burguês, eleito deputado federal por oligarquias e políticos do tipo do prefeito de Caxias, Humberto Coutinho. A crítica surgiu em forma de carta enviada ao blog do jornalista Décio Sá.

 

Dantas. As colunas na internet estão virando um espaço irrespirável. De um lado, petistas que só olham defeitos no PSDB quando este esteve no governo. Do outro, defensores do PSDB que só observam defeitos no PT. A burrice cansa. Basta ver agora o que vem causando a prisão do esperto Daniel Dantas. Oposição e governo estão se aproximando. Prova de que tanto do lado do PT quanto do PSDB há gente com culpa no cartório.

 

Bobagem. Leio que o candidato Clodomir Paz e o candidato Flávio Dino fizeram grandes caminhadas no fim de semana. Ambos são criticados por isso. Bobagem. Isso não quer dizer nada. Os dois apresentaram à Justiça Eleitoral quanto pretendem gastar. Enquanto não for apresentado nada de irregular, os dois estão dentro da lei.

 

Esperança. Sei que a cada eleição os candidatos são levados a repetir os mesmos rituais. Que eu, cá pra nós, considero uma bobagem. Tomar cafezinho na feira de tal bairro, carregar criança em caminhadas e por aí vai. Tenho esperança de que acabarei por ver, nesta eleição, coisas criativas. Daquelas de encher os olhos. Será que estou sendo otimista? Espero, sinceramente, que não.



Escrito por Roberto Kenard às 17h48
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, sexta-feira:

Engarrafamentos

 

Alguns candidatos a prefeito de São Luís estão pondo a culpa pelos engarrafamentos na falta de novas ruas e avenidas. Essa é uma meia-verdade pior que uma mentira inteira. Fosse assim e as grandes capitais já teriam resolvido seus problemas de engarrafamentos. O problema não é simples e, portanto, não pode ter solução simplória. Esses candidatos deveriam pelos menos considerar que nem todo eleitor tem cérebro de queijo suíço.

Em primeiro lugar, há um problemão: o chamado carro popular. Nascido da isenção de alguns impostos, o carro popular era para ter existência curta, como saída para a crise das montadoras naquele momento. Mas, como no Brasil tudo que é para ser provisório vira permanente, o carro popular segue abarrotando as ruas e avenidas do país.

Logo depois veio a bonança econômica, que injetou grana no bolso das classes populares. Com dinheiro no bolso, ofertas de carros populares com financiamento a perder de vista, sabemos no que deu. Podem abrir novas ruas e avenidas a cada manhã e os engarrafamentos não acabarão.

Outro problema que alguns candidatos gostam de puxar é o da saúde. Melhor dizendo: a capacidade de atendimento dos Socorrões. O prefeito Tadeu Palácio prometeu cinco Socorrinhos (que o Governo Federal chama de Serviço de Pronto-Atendimento – SPA). Já construiu dois, um já tem o terreno comprado e dois outros ainda aguardam a compra dos terrenos.

Acho que em vez da criação de mais hospitais como o Socorrão, os candidatos deveriam falar na melhoria da qualidade do atendimento nos Postos de Saúde. A saída mais viável é a criação de hospitais por regiões no interior do Estado. Jackson já fez um em Presidente Dutra (se a memória não me trai, foi em Presidente Dutra). O município de São Luís não tem capacidade para atender a demanda inteira de todos os municípios. Nem que construa 1929 Socorrões.

Portanto, senhores candidatos a prefeito, menos “enroleicham”. Aqui do outro lado há quem pense.

 

Castelo. Um dos entrevistados da rádio Mirante AM na quarta-feira, o candidato João Castelo (PSDB) voltou a afirmar que o governador Jackson Lago (PDT) vai votar nele. É a segunda vez que ele diz ter ouvido isso do próprio governador. A primeira foi no dia em que registrou a candidatura.

 

Clodomir Paz. O outro entrevistado do mesmo dia na rádio Mirante foi o candidato pedetista Clodomir Paz. O homem mostrou conhecimento dos problemas de São Luís e soube apresentar os avanços obtidos com a administração Tadeu Palácio. Perguntaram a respeito do piso dos professores recém-aprovado. Clodomir disse que não era problema para o município, que paga um dos maiores pisos do Brasil.

 

Censura. A Justiça Eleitoral deu um tiro na mão dos eleitores. Ninguém pode criticar ou elogiar candidatos na internet. Ora, se existem inescrupulosos, que criam páginas para denegrir a imagem de pessoas, elas podem pagar nos termos da lei. O que é insensato é usar esse argumento para celebrar a censura ao livre debate.

 

Como? Henrique, petista que já esteve numa secretaria do Governo Jackson Lago e é ligado politicamente ao suplente de deputado federal Washington Luís (PT), saiu-se com esta em discurso na carreata do candidato comunista Flávio Dino: “Nós vamos assolar São Luís”. Dino olhou para um companheiro que estava ao lado e fechou os olhos.

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 17h23
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, terça-feira:

 

Norte das campanhas

 

A campanha ainda nem começou realmente, mas já se podem recolher algumas pistas do que virá pela frente. São, se a memória não me trai, dez candidatos a prefeito em São Luís. Nenhum dirá, naturalmente, que está apenas competindo, sem a menor chance de vencer. Mas dá para saber que mais da metade não tem a menor chance sequer de chegar ao segundo turno, se ele vier a existir. Mas tratemos, por enquanto, do candidato que acabará por dar o mote às outras candidaturas.

O candidato em questão é o tucano João Castelo. Ele vem aparecendo à frente nas pesquisas, embora seja muito cedo para dizer se esses números permanecem ou se alteram para mais ou para menos. O certo é que acabará como o alvo das outras candidaturas.

Dá para sentir que o marketing de Castelo trabalhará com a idéia básica de que ele é um tocador de obras. Aquele que fez e fará, em referência ao período em que ele esteve à frente do Governo do Maranhão, na época da ditadura militar (Castelo foi governador biônico, quer dizer, indicado, sem passar pela experiência das urnas).

A imagem de tocador de obras deve surgir como tentativa de apagar a imagem negativa do candidato, como homem que entrou para a política pelas mãos da ditadura militar. Mais grave, governador que mandou a polícia para cima dos estudantes na já mitológica luta pela meia-passagem em 1979.

Acrescente-se a passagem de João Castelo no Governo Jackson Lago (PDT), frente à Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). Dificilmente, os adversários de Castelo vão deixar passar em branco as denúncias já divulgadas desse trabalho de administrador, que, entre outras coisas, incorporam o nepotismo (emprego de parentes e aderentes, com salários gordos, diga-se).

Resta saber até onde o trabalho de marketing eleitoral é capaz de ofuscar todas essas coisas. A campanha vai começar. É conferir.

 

Inelegível. Se tivesse planos de sair candidato a prefeito, o deputado José Lima dos Santos Filho, o professor Lima, não poderia. O Tribunal de Contas da União (TCU) o pôs na lista de inelegíveis. Motivo: contas do tempo do CEFET.

 

Outro. Quem também está na lista de inelegíveis do TCU é o prefeito José Henrique Brandão, de Colinas. Ele é irmão do deputado federal Carlos Brandão.

 

E mais outro. Juscelino Rezende está também na lista nada honrosa do Tribunal de Contas da União. Motivo: problemas nas contas da Prefeitura de Vitorino Freire.

 

Começou. A campanha em Barreirinhas começou a esquentar. O candidato Celso Rodrigues (PSB) fez no domingo sua primeira carreata, da Boa Vista ao centro da cidade. Reuniu um número de carros e motos avantajado.

 

Cuidado. Candidato a prefeito de São Luís que pregar o combate à violência em São Luís precisa explicar direitinho como fará isso. O Governo do Estado, que detém o aparato policial, não consegue, imagina um alcaide.

 

Por falar nisso... O Governo do Estado já se dispôs a acreditar na existência da greve dos policiais? Os grevistas acreditam e já entraram na Justiça contra o Estado. Boquiaberta, a população aguarda o desenrolar do qüiproquó.



Escrito por Roberto Kenard às 11h19
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