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MST tem medo de ser investigado

Foi divulgado ontem, pelo MST, manifesto assinado por escritores, intelectuais, uma sambista e um ator repudiando a criação de uma CPI para investigar o próprio MST. Eis um trecho da matéria do jornal O Estado de S. Paulo:

Cinco pessoas respondem pela autoria do manifesto e busca de assinaturas - o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (PT-SP), o ex-presidente do Incra Osvaldo Russo, o poeta Hamilton Pereira, o escritor Alípio Freire e a socióloga Heloisa Fernandes. Endossam o documento o crítico literário Antônio Cândido, o jurista Fábio Konder Comparato, o sociólogo Emir Sader, o escritor Fernando Morais, o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), d. Ladislau Biernaski, o teólogo Leonardo Boff, a presidente da Associação de Juízes pela Democracia, Dora Martins, além de dirigentes do PSTU, PC do B e PSB. A sambista Beth Carvalho e o ator Osmar Prato também o subscrevem.

Pensei: essa turma de democratas vai acabar pedindo o fechamento do Congresso. Sim, porque o que eles pedem é isto: que o Congresso deixe de realizar uma de suas prerrogativas.

Alegam ainda que isso é uma represália da bancada ruralista que não aceita a atualização dos índices de produtividade no campo. Bem, se os ruralistas estão contra a atualização dos índices de produtividade no campo, estão certíssimos. Trata-se de uma medida burra, que pode causar a derrocada da agropecuária brasileira, uma das mais avançadas do mundo. Como já escrevi, apoiado em parecer de pesquisador da Embrapa, o correto é criar outro índice, dentro da realidade atual do país, um índice que leve em conta todos os fatores da produtividade. Mas não vale me estender a respeito, já que Beth Carvalho e Osmar Prado não sabem a diferença entre uma mandioca e uma cabra.

Vale registrar a safadeza de grande parte da esquerda brasileira. Ou não é safadeza achar que na sociedade brasileira há intocáveis? Querem, por exemplo, que o MST seja intocável. Qualquer cidadão, incluído o presidente da República, pode ser investigado, menos o MST. Por quê?

Segundo o documento, porque “esse movimento paga diariamente com suor e sangue por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra”. Suor? Sangue? Por favor... O Brasil tem milhões de hectares de terras devolutas – terras do estado – e outro tanto de terras de particulares sem benfeitorias e sem qualquer produtividade, mas o “sangue” e o “suor” dos coitadinhos do MST só são “derramados” para invadir terras prontas. Eles só querem fazendas prontinhas. Terras vazias? Nem pensar.

Agora dizer que um dos pilares da desigualdade social no Brasil é o monopólio da terra é acreditar que Stédile pode cantar samba e Beth Carvalho um dia vai querer trabalhar na roça.



Escrito por Roberto Kenard às 02h11
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Ilicitozinho

Por 3 votos a 2, o Tribunal Regional Eleitoral não viu nada em que pudesse se amparar para caçar a prefeito de Paço do Lumiar, Bia Venâncio (PDT).

Bia era acusada de adquirir mil litros de combustíveis para abastecer veículos que participaram de carreatas suas na cidade. A conta no Posto Maiobão foi paga com dois cheques de aliados totalizando R$ 2,56 mil. Os recursos não foram contabilizados na conta da campanha, daí a acusação de “Caixa 2″.

O relator do processo, José Carlos Souza e Silva, reconheceu o ilícito, mas considerou que o mesmo não teve potencialidade para modificar o resultado da eleição. Seguiram o relator Megbel Abdalla e Márcia Chaves.

Se o TRE do Maranhão é assim, imagina o da Jamaica.



Escrito por Roberto Kenard às 16h00
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, quarta-feira, 23.09.09:

Desencontros

A divergência relativa à quantidade de candidatos ao Governo do Maranhão prossegue e pode incinerar as pretensões da oposição em 2010. José Reinaldo Tavares (PSB) prossegue pregando maior número de candidatos e Jackson Lago (PDT) aposta numa eleição plebiscitária, isto é, apenas um candidato contra o candidato do governo.

José Reinaldo já declarou que no primeiro turno o PSB vai de Flávio Dino (PCdoB). Por conta disso, o PDT já insinuou que pode ter candidato próprio ao Senado. Ambos seguem esquecidos de um dado fundamental em eleição com dois turnos: a escolha, no primeiro turno, de candidatos de amaciamento. Em palavras de catador de votos: a escolha de candidato (ou candidatos) para compor uma aliança no segundo turno.

A pressa, aqui, pode gerar rusgas insanáveis num possível segundo turno. O que sempre facilitou a vida de candidatos governistas.

A pressa é tanta que um dado essencial tem sido negligenciado: quem será mesmo o candidato da situação ao Governo do Estado?

Em conversa ontem com alguns parlamentares governistas, deu para sentir que não existe a certeza de que Roseana Sarney será realmente candidata à reeleição, embora tenha trunfos para se caracterizar como favorita.

Em palavras de restaurante de beira de estrada: apressado come cru.   

Senado

Engana-se redondamente quem pensa que ao acenar com a possibilidade de candidato ao Senado que não seja José Reinaldo Tavares, o PDT esteja pensando somente em Clodomir Paz. O correligionário de Tavares, Edson Vidigal, não é figura descartável. Podem anotar.

Confusão

Os primeiros cinco meses do Governo Roseana Sarney (PMDB) fazem lembrar os últimos quatro meses do Governo Jackson Lago: é cada um por si e Deus por ninguém.

Começou

O PMDB serrista pôs a cara para fora e disse ao deputado Michel Temer, presidente do partido por debaixo dos panos, que se acalme e não apresse a aliança com o PT para 2010. Disse ainda que a aliança com o PT era para dar sustentação ao Governo Lula, não para apoiar Dilma Rousseff ou outro que venha a ser candidato do partido à Presidência da República.

Diferença

O Brasil não tem servido apenas de exemplo no plano econômico. Basta observar como anda a democracia em países como Venezuela, Honduras, Bolívia, Equador e Colômbia. Perto deles, em todos os níveis, parecemos uma Suiça.

Frase do dia

Eu nunca fui líder de nada”, do deputado e líder do governo na Assembléia Legislativa Chico Gomes.

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 10h13
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Resultado da pesquisa Ibope

Dilma Rousseff ainda não está fora

Hoje (terça-feira, 22.09) saiu o resultado da pesquisa de intenções de voto para presidente da República do Ibope. Muita gente apressada já aponta que Dilma Rousseff está fora do páreo ou em véspera de. Além do fato de estarmos a praticamente um ano das eleições, há que se considerar, acredito eu, que a pesquisa serve mais como um balão de ensaio. E nessa experiência não me parece que Dilma Rousseff tenha se saído mal.

Vejamos, por exemplo, os números a respeito do nível de conhecimento, por parte dos eleitores, dos candidatos:

José Serra (PSDB) – 66%

Aécio Neves (PSDB) – 27%

Ciro Gomes (PSB) – 45%

Dilma Rousseff (PT) – 32%

Heloísa Helena (PSOL) – 30%

Marina Silva (PV) – 18%

 

Natural que Serra seja mais conhecido do eleitor. Em 2002 foi candidato a presidente, chegando a disputar o segundo turno com Lula. Foi prefeito de São Paulo e é agora governador da maior vitrine política estadual.

 

Alguém há de dizer: mas Dilma está a 13 pontos percentuais abaixo de Ciro Gomes. É natural, também. Ciro já foi governador do Ceará, candidato a presidente e duas vezes ministro.  Certo que Dilma é ministra, mas da Casa Civil, sem grande visibilidade, o que passou a ter a partir do PAC.

 

Revelador, no meu entender, é que Dilma Rousseff tenha 14% de intenções de voto na principal simulação da pesquisa, empatada justo com Ciro Gomes que lhe bate por 13 pontos percentuais no fator conhecimento. E por uma simples razão: Ciro, por vencê-la no fator conhecimento, deveria ter pelo menos 5 ou 6 pontos percentuais a mais que ela nas intenções de voto.

 

Para quem tem alto nível de rejeição (40%), por conta do elevado desconhecimento da pré-candidata pelo excelentíssimo público, ter 14% de intenções de voto é algo nada desprezível. Ou melhor: Dilma pode sair do páreo lá por abril, mas no momento mantém grandes possibilidades de crescimento.

 

É esperar.  

 

 

 

 

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 23h22
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Coluna do Kenard (Diário da Manhã) de hoje, terça-feira, 22.09.09:

Boa resposta

Pesquisa do Instituto Análise mostra que 52% dos brasileiros entrevistados são pela manutenção do Senado. Quer dizer, mesmo atolado em crise, a população não deseja seu fim, prova de grande amadurecimento político. Isto é: o brasileiro sabe separar a instituição da figura do senador. Perfeito.

Outros 35% optaram pelo fim da instituição Senado, acreditam que basta a Câmara de Deputados para que “as leis sejam bem feitas”. É um direito das pessoas, embora eu discorde delas. Se todas as vezes que representantes de um determinado poder fossem flagrados em malfeitorias tivéssemos de acabar o poder em questão e não sobraria nada, em país algum.

O descontentamento com os políticos (legítimo no atual momento em que vivemos) não precisa levar à descrença nas instituições democráticas. A democracia dá trabalho e pode não ser uma perfeição, mas é até aqui o melhor dos regimes políticos e, além do mais, coitado daquele que anda atrás de perfeição.

Por fim, a pesquisa mostra que podemos dormir tranqüilos. Desmoralizar a política leva à velha mania de dizer que o povo não sabe votar e, uma vez que o povo não sabe votar, surge a aventura do Salvador da Pátria, de preferência de farda.

Sem dados

Já contatei várias pessoas a respeito de pesquisa de intenção de voto ao Governo do Maranhão. Só obtive os números frios: Roseana 43%, Jackson 25% e Flávio Dino 15%. A pesquisa seria do Ipope, do Piauí, que teria sido contratado pelo prefeito de Caxias, Humberto Coutinho.

Sem dados 2

Gostaria de saber, por exemplo, o período de realização da pesquisa, quantas pessoas foram ouvidas, municípios onde a pesquisa foi feita, o número dos que não souberam responder, dos que não votariam em hipótese alguma num desses três possíveis candidatos e por aí vai. Se conseguir ter acesso a tudo isso faço uma análise.

Entrevista

Domingo o jornal Folha de S. Paulo publicou entrevista com a ministra Dilma Rousseff, possível candidata de Lula e do PT à presidência em 2010. Vale procurar ler a entrevista. Dilma saiu-se muito bem.

Moleza

O juiz Mário Mazurek, titular da 2ª Vara da Fazenda Pública de Macapá, suspendeu ontem a execução de uma das condenações sofridas pelo advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, em virtude da suposta contratação irregular de seu escritório para prestar serviços ao governo do Amapá. Toffoli foi indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Frase do dia

O que se viu no mundo nos últimos tempos é que a tese do Estado mínimo é uma tese falida, ninguém aplica, só os tupiniquins”, de Dilma Rousseff, na Folha de S. Paulo de domingo.

 

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 03h49
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Entrevista com Dilma Rousseff

Abaixo, excelente entrevista da ministra Dilma Roussef, ao jornal Folha de S. Paulo de domingo (a entrevista pode ser lida pelos assinantes do jornal ou do UOL):

FOLHA - Essa maior interferência do governo não levou a uma visão estatizante da economia e a um discurso eleitoreiro, como no pré-sal?
DILMA
- As acusações são eleitoreiro, estatizante, intervencionista e nacionalista. Tem algumas que a gente aceita. Nacionalista a gente aceita. Esse país não pode ter vergonha mais de ser patriota. Eu não vi um americano ter vergonha de ser patriota, nunca vi um francês. Que história é essa de nacionalista ser xingamento?

FOLHA - Nacionalista vocês aceitam. E estatizante?
DILMA
- Se é o aumento da capacidade de planejar o país, de ter parcerias com o setor privado, de o Estado ter se tornado o indutor do desenvolvimento, concordo.

FOLHA - Intervencionista?
DILMA
- Não somos.

FOLHA - Mas eleitoreiro?
DILMA
- Não. Sabemos que quem não tem projeto vai achar tudo eleitoreiro.

FOLHA - Quando o presidente pressiona um dirigente de empresa privada, como Roger Agnelli, da Vale, não é uma ingerência indevida?
DILMA
- Você acha certo exportar minério de ferro e importar produtos siderúrgicos? Ela é uma empresa privada delicada. Porque ela está explorando recursos naturais do Brasil. Você não pode sair por aí explorando os recursos naturais e não devolver nada. O presidente ficou chocado com empresas que demitiram bastante na crise sem ter consideração pelos empregos do país.

FOLHA - Isso representa prejuízo para uma empresa privada.
DILMA
- Não se trata de prejuízo, se trata do tamanho do lucro, a mesma coisa da Petrobras. O que vale para a Petrobras vale para a Vale. A preocupação com a riqueza nacional é uma obrigação do governo. Eu não acho que o presidente foi lá interferir na Vale. O presidente manifestou, assim como muitas vezes os empresários manifestam, seu descontentamento, e não implica uma interferência, a gente tem de democraticamente aceitar as observações, ser capaz inclusive de aprender com críticas. Por que o presidente não pode falar?

FOLHA - A sra. acha que uma empresa privada tem de abrir mão de uma parte do lucro...
DILMA
- Não estou discutindo isso. Estou discutindo é que ela, assim como a Petrobras, nem sempre pode. Se a Petrobras quiser o lucro dela só, vai fazer uma coisa monotônica.

FOLHA - O presidente pensou em tirar o Agnelli da Vale?
DILMA
- Que eu saiba não. Ele não tem poder para isso. Como você disse, é uma empresa privada. O que ele fez foi externar seu descontentamento com a forma que demitiram gente. Ele não fez só para a Vale. Eu acho interessante essa história, os empresários podem falar o que quiserem que é democrático, o presidente não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista. Isso, diríamos assim, não é justo.



Escrito por Roberto Kenard às 12h44
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Acabo de chegar de viagem. E aí vai a Coluna do Kenard (Diário da Manhã) deste domingo, 20.09.09:

Silêncio

O presidente iraniano Ahmadinejad voltou a carga contra os judeus. Político por profissão e nazista por convicção, ele nega o Holocausto judeu. Hitler e sua turma não teriam assassinado milhões de judeus. Ele quer também a criação de uma frente global contra Israel. Com o companheiro Hugo Chávez não precisa se preocupar. A turma bolivariana tem atacado sistematicamente sinagogas e judeus na Venezuela.

As esquerdas brasileiras, que têm opinião formada sobre tudo, têm guardado insidioso silêncio a respeito de Ahmadinejad. Ele foi reeleito numa eleição até hoje sob profundas suspeitas. Os iranianos foram às ruas contestar e foram recepcionados por balas (houve mortos) e porretes. No Brasil, nenhuma palavra das esquerdas. Fosse nos Estados Unidos e as esquerdas brasileiras fariam barricadas até nas ruas da iraniana Maceió.

O leitor há de perguntar por que cobro das esquerdas. Simples: Ahmadinejad é de direita. Da feroz. Cobrar posição da direita brasileira seria um contra senso.

Mas em favor das esquerdas brasileiras diga-se: a esquerda mundial sempre foi contra judeus. O pai de todos – Karl Marx – era anti-semita. Na Rússia comunista os judeus tinham tratamento de doentes contagiosos (Ah, Stálin; ah, Hitler). Muitos foram enviados para a Sibéria, vale dizer: para a morte.

Reformulo minha opinião: as esquerdas brasileiras – no caso iraniano – estão sendo apenas coerentes.

Dirceu

Quarta-feira (23) o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu estará em São Luís, onde manterá contato com a militância do PT e movimentos sociais. O ex-ministro tem visitado muitas capitais brasileiras onde tem conversado sobre eleições de 2010, alianças partidárias, momento político, crise econômica e o Processo de Eleição Direta (PED) do PT. Ele concede entrevista coletiva às 15h30, na Assembléia Legislativa. 

Melhorou

O analfabetismo teve queda na região Nordeste do Brasil entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade, de acordo com os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgados sexta-feira. Segundo o relatório, o Nordeste - que tinha um indicador que era quase o dobro do nacional -, apesar de ainda ter a maior taxa de analfabetismo do país, foi a única região a apresentar decréscimo expressivo em relação a 2007, passando de 19,9% para 19,4%.

Eficiência

Ouvi de alguns petistas – o PT comandou até pouco tempo o órgão – elogios ao trabalho realizado no INCRA pelo ex-deputado Benedito Terceiro. Ele encontrou no começo algumas resistências, mas conseguiu superá-las com a boa administração do órgão.

Frase do dia

Não foi o mundo que piorou. As coberturas jornalísticas é que melhoraram muito”, de G.K. Chesterton, escritor inglês.

 

 



Escrito por Roberto Kenard às 19h01
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